quinta-feira, 1 de maio de 2008

As Setenta Semanas de Daniel

“Portanto quando virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo ( quem lê, entenda)...”
MATEUS 24:15

Depois de orar por vinte e um dias consecutivos, Deus enviou o anjo Gabriel para confortar Daniel, e fazê-lo entendido acerca daquilo que haveria de acontecer ao seu povo. Disse o anjo ao profeta:

“Daniel, agora vim para fazer-te entender o sentido. No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para declará-la a ti, porque és muito amado. Portanto, considera a mensagem, e entende a visão: Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, e dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santo dos Santos”.
DANIEL 9:22-24.

É ponto pacífico entre os teólogos que essas setenta semanas referem-se a semanas de anos. Portanto, significam literalmente 490 anos.

O que é que aconteceria dentro desse prazo? O pecado seria expiado, e a justiça de Deus seria, por conseguinte, satisfeita. Além disso, o Santo dos Santos seria ungido.

Tudo isso aconteceu na primeira vinda de Cristo. Pela Cruz, a iniqüidade do mundo foi expiada, e a justiça divina satisfeita. Com a ressurreição, o Santo dos Santos foi ungido.
O anjo prosseguiu:

“Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até o Ungido, o Príncipe, sete semanas, e sessenta e duas semanas. As praças e as tranqueiras se reedificarão, mas em tempos angustiosos.”
V.25.

Quando Daniel recebeu essa visão, Jerusalém havia sido destruída por Nabucodonosor, rei da Babilônia. Entretanto, Deus estava prometendo que aquela cidade ainda haveria de ser restaurada. Em 457 aC. foi promulgado o decreto do rei Artaxerxes, concedendo a Esdras a autorização de começar a reconstrução de Jerusalém. 69 semanas de anos depois, ou 483 anos, chegamos precisamente à época em que Jesus iniciou o Seu ministério público. Trata-se de uma exatidão extraordinária, que só pode ser explicada levando-se em conta a incontestável inspiração do texto sagrado.

E o texto profético prossegue:

“Depois das sessenta e duas semanas será cortado o Ungido, e não será mais...”
v.26a.

À essas 62 semanas devem ser somadas as 7 primeiras semanas, totalizando 69 semanas. Com a morte do Ungido ( em grego é Christos ), a iniqüidade teria sido expiada, e a justiça divina vindicada. Ora, se o Ungido seria cortado depois das 69 semanas, logo, concluímos que Ele foi morto na 70a. semana. Isso derruba de vez a teoria de que a 70a. semana ainda virá, e que entre a 69a. e a 70a. haveria uma espécie de intervalo ( tal teoria é defendida pelos dispensacionalistas ) Diante do fato de que o Ungido foi cortado depois da 69a. semana, só podemos concluir que tal teoria não passa de uma falácia.

Se acreditarmos no fato de que a 70a. semana ainda está pra vir, teremos que admitir que o pecado ainda não foi expiado, e que Cristo não era o Ungido que estava pra vir. Isso seria um absurdo !

Uma vez que Jerusalém rejeitara o seu Rei, nada lhe restara senão a destruição. A morte de Cristo na Cruz selou o destino daquela cidade. Por isso, na seqüência da profecia lemos: “e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário. O seu fim será como uma inundação: Até o fim haverá guerra, e estão determinadas desolações” (v.26).

A Identidade do Príncipe que destruiria Jerusalém

Muito se tem discutido acerca da identidade do tal príncipe. Quem seria ele, afinal? Certamente não se está falando do Ungido. Trata-se de Tito, general romano que veio a se tornar imperador, e que no ano 70 d.C. invadiu Jerusalém e a destruiu juntamente com o seu soberbo templo. Antes disso, porém, os judeus vivenciaram quatro anos consecutivos de guerra. Sobre isso escreveu exaustivamente o historiador judeu Flávio Josefo.

A destruição de Jerusalém está profundamente ligada à rejeição do Messias por parte dos judeus.

Lucas narra o episódio em que Jesus “vendo a cidade, chorou sobre ela, dizendo: Ah! Se tu conhecesses, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas agora isso está encoberto aos teus olhos. Dias virão sobre ti em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te apertarão de todos os lados. Derrubar-te-ão, a ti e a teus filhos que dentro de ti estiverem. Não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste o tempo da tua visitação” (Lc.19:41-44).

Cristo ou o Anticristo?

Logo em seguida, o anjo diz: “Ele confirmará uma aliança com muitos por uma semana, mas na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de cereais”(v.27). De quem o anjo estava falando, agora ? Alguns entendem que a pessoa em foco aqui é o tal príncipe, ou o império que ele representa. Os que acreditam que a 70a. semana ainda virá, crêem que se trata do Anticristo. Nós, porém, temos razões fortes para crer que esta passagem fale do Ungido, e não do príncipe que destruiria Jerusalém. E que razões seriam estas? Primeiro, no texto em hebraico, o sujeito está oculto. Portanto, ambas as posições parecem plausíveis do ponto de vista lingüístico. Tanto o Ungido, quando o príncipe que virá se encaixam perfeitamente. Porém, do ponto de vista teológico, temos que admitir que é o Ungido o sujeito oculto desta passagem. E por quê?
Primeiro: Em Mateus 26:28 encontramos Jesus na última ceia apresentando o cálice que representava o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos. Isso se encaixa perfeitamente na passagem de Daniel. A aliança ali mencionada é a Nova Aliança feita no sangue de Cristo. Essa aliança foi feita na 70a semana de Daniel. Os muitos mencionados nessa passagem são os eleitos de todas as eras. No meio dessa semana ( a 70a., é claro ), Cristo fez cessar o sacrifício. O escritor de Hebreus ressalta que Cristo “havendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus”. Portanto, “já não resta mais sacrifício pelos pecados” (Hb.10:12, 26b).

Diante destas afirmações, concluímos que não foi Tito, o general romano, quem fez cessar o sacrifício. Foi Cristo, o Santo dos Santos, que invalidou pelo o Seu sangue todos os demais sacrifícios. Ainda que, depois de Sua morte, os sacrifícios continuassem a ser oferecidos, eles já não possuíam valor algum diante de Deus (Hb.9:9-10).

Sobre a Asa das Abominações

Foi devido à rejeição do Messias por parte dos judeus que a destruição veio sobre Jerusalém e seu templo. Por isso, na seqüência do versículo lemos: “E sobre a asa das abominações virá o assolador, até a destruição determinada, a qual será derramada sobre o assolador” (v.27b).
O assolador nesta passagem corresponde a Roma, que foi a responsável pela destruição total de Jerusalém e seu santuário. Na última parte do versículo, lemos que Deus também determinara a destruição do assolador. No final das contas, tanto a Jerusalém apóstata, quanto o Império Romano haveriam de ser destruídos. Cerca de cinco séculos depois de haver destruído Jerusalém (476 d.C.), Roma foi invadida e saqueada pelos bárbaros, caindo assim a porção ocidental do Império Romano.

4 comentários:

dalmo08 disse...

se isso for verdade, a maioria dos estudiosos de escatologia estão errados, quanto as setenta semanas, eu ando meio desanimado, mas gostei desta versão.

Carla disse...

Interessante, apesar dos anos de evangelho, somente agora estou dedicando especial atenção e estudo ao aspecto escatológico do livro de Daniel. Lendo esta passagem nesta manhã tive exatamente este entendimento. Ocorre que não coincide com a explicação da minha bibliografia de referência. Abandonei a minha interpretação numa atitude de reconhecimento a minha parcial ignorancia sobre o assunto e em respeito aqueles estudiosos. Me dirigí ao computador para pesquisar respostas para alguns outros questionamentos e me deparo com sua versão dos fatos, perfeitamente coincidente com o meu entendimento. Fiquei feliz com isso! Então tomo a liberdade de transferir a minha curiosidade com relação a outro aspecto do mesmo versículo: Daniel diz 7 mais 62 e não 69. Haveria algum fato marcante no final da primeira semana de anos que justificasse a separação desse período do restante dos 69? historicamente, foi no ano 408AD que o imperador romano Teodósio ascendeu ao trono de Roma e em seguida abraçou a fé cristã, de maneira que o império romano se tornou cristão.
Haveria mais algum fato relevante neste mesmo ano?

Andre Chilano disse...

Esta intrpretãção carece de veracidade visto que Tito destruiu Jerusalem e o templo mas não a profanou nem proferiu blasfemias contra Deus, e nem proibiu o sacrifício no Templo. Apenas o destruiu, e segundo Josefo, muito a contra gosto.A profecia se encaixa perfeitamente em Atíoco epífanes e não a Tito. Além disso, Josefo falou tambem exaustivamente sobre Antíoco e como ele tirou o costumado sacrifício tal qual falou Daniel. E Josefo diz claramente que Antíoco profanou o templo por 3 anos e meio, realizando sacrifícios de porcos.

Erivelton disse...

Nossa, agora tudo está fazendo sentido para mim !!! Por isso que no chamado Livro das Melhores Coisas, ou, Livro das Coisas Superiores, Hebreus, existe sempre muita comparação entre o santuário e seus serviços com a obra de Jesus como Sumo-sacerdote, como um cordeiro de cujo sacrifício é melhor que os sacrifícios terrenos, enfim, a existência de um Santuário Celestial que este sim, ocupará um papel fundamental no desfecho da história deste mundo!